Vacina Butantan-DV contra dengue é aprovada pela Anvisa
A aprovação da vacina tetravalente dengue Butantan pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é um marco histórico da ciência brasileira. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV chega em um momento crucial, quando o país enfrenta um surto recorde da doença: mais de 6,5 milhões de casos prováveis e 6.321 óbitos foram registrados em 2024.
A conquista do registro representa mais do que uma vitória regulatória: é o resultado de 15 anos de dedicação científica e industrial. A trajetória começou com uma necessidade urgente e transformou-se em uma das mais avançadas tecnologias de imunização contra a dengue no mundo.
Uma jornada científica de 15 anos até a Vacina tetravalente dengue Butantan
A pesquisa da vacina tetravalente dengue Butantan começou em 2010, quando o Brasil enfrentava uma grave epidemia, com mais de 1 milhão de casos — número quase três vezes superior ao registrado em 2009. Na ocasião, coube à especialista Neuza Frazatti Gallina liderar a equipe do Laboratório Piloto de Vacinas Virais no desenvolvimento do imunizante.
Foram utilizadas cepas atenuadas dos quatro sorotipos da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), gentilmente doadas pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Estes vírus atenuados são versões modificadas com genes deletados, que não causam a doença, mas simulam uma infecção natural, promovendo uma resposta imunológica eficaz.
Essa configuração permite uma vacinação em dose única, o que representa um grande avanço logístico e estratégico. Em uma época de hesitação vacinal, simplificar a adesão com uma única aplicação pode fazer toda a diferença.
Vacina tetravalente dengue Butantan: tecnologia e desafios únicos
Uma das principais características da Butantan-DV é ser uma vacina tetravalente, atenuada e liofilizada. Ou seja, ela é formulada para combater os quatro sorotipos da dengue e passa por um processo de secagem a frio para preservar sua integridade.
- Tetravalente: combate os quatro sorotipos com equilíbrio imunológico;
- Atenuada: utiliza vírus vivos enfraquecidos para simular infecção sem causar a doença;
- Liofilizada: aumenta a durabilidade e estabilidade do produto.
A liofilização exige extrema precisão, desde a formulação até a industrialização. Segundo o gerente de Produção, Alexandre Gonçalves de Rezende, os pesquisadores precisaram definir com exatidão a quantidade de partículas virais para garantir eficácia e segurança.
Para isso, foram realizados 17 tipos de formulação e 12 configurações diferentes de liofilização em larga escala. Cada decisão influenciava diretamente o desempenho da vacina. Isso mostra o altíssimo nível de complexidade envolvido no processo.
Do laboratório à fábrica: a engrenagem da Butantan-DV
Transformar o que foi desenvolvido no laboratório em uma produção industrial contínua exigiu a criação de uma fábrica exclusiva. A transição entre as etapas laboratoriais e industriais foi uma das partes mais desafiadoras do projeto.
Conforme explica Antonio Cesar Pereira da Silva, diretor técnico de Produção, a cadeia produtiva da Butantan-DV é extensa e precisa funcionar em sinergia. Cada engrenagem deve atuar com precisão, garantindo que o imunizante atenda aos altos padrões definidos nos estudos clínicos.
Assim, o sistema de fabricação teve que ser estruturado para manter a estabilidade, segurança e eficácia até o momento da aplicação. Isso exige, por exemplo, controle rigoroso das condições de armazenamento e transporte, além de um diluente próprio para reconstituição no momento da aplicação.
Dose única: solução eficaz para os desafios de saúde pública
Em 2018, pesquisadores do Reino Unido publicaram na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics um estudo sobre os benefícios da imunização com dose única. Segundo o levantamento, esse tipo de vacina promove maior cobertura de imunização e reduz significativamente os custos econômicos para os sistemas de saúde.
Rosilane de Aquino Silva, diretora de Assuntos Regulatórios e Qualidade do Instituto Butantan, reforça esse ponto. Segundo ela, um esquema de vacinação simplificado facilita campanhas e aumenta a adesão, especialmente em tempos de hesitação vacinal.
“A imunização é um pacto social”, afirma. “Alcançamos proteção coletiva apenas quando um número mínimo de pessoas é vacinado. A dose única torna esse objetivo muito mais atingível.”
Butantan-DV: pronta para proteger milhões de brasileiros
Agora, com o aval da Anvisa, um milhão de doses da vacina desenvolvidas pelo Instituto Butantan já estão prontas para distribuição. Em meio a uma das maiores crises de saúde pública do Brasil, essa aprovação traz esperança à população e um reforço importante às estratégias de combate à dengue.
Em 2024, com mais de 6,5 milhões de casos prováveis e 6.321 mortes registradas, a dengue se consolidou como um dos maiores desafios enfrentados pelo país. A chegada da Butantan-DV vem em boa hora e poderá mudar o rumo dessa batalha.
Essa vacina representa não apenas um produto, mas um legado da ciência brasileira. São 15 anos de estudo, esforço coletivo e excelência técnica transformados em uma ferramenta promissora para salvar vidas.
Por que a vacina tetravalente dengue Butantan é um marco histórico?
- É o primeiro imunizante totalmente desenvolvido pelo Instituto Butantan.
- Protege contra os quatro sorotipos da dengue com dose única.
- Utiliza cepas atenuadas, oferecendo segurança e eficácia.
- Apresenta-se em forma liofilizada, com validade estendida.
- Possui logística simplificada, propícia para campanhas em larga escala.
O futuro da saúde pública brasileira encontra-se refletido na Butantan-DV. Ela traz uma solução concreta para um problema real e crescente. Ao mesmo tempo, demonstra a maturidade e competência da ciência nacional.
Com a vacina tetravalente dengue Butantan, o Brasil dá um passo firme rumo ao controle da dengue, reafirmando sua capacidade de liderar inovações em imunização.







