Vacina contra VSR para gestantes chega ao SUS em 2025
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecção respiratória grave em crianças pequenas e idosos. Comum no outono e no inverno, esse vírus pode desencadear doenças como bronquiolite e pneumonia. Em recém-nascidos, os riscos de complicações são elevados devido à imaturidade do sistema respiratório e imunológico.
A boa notícia é que, em dezembro de 2025, a vacina VSR para gestantes passou a ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo principal é proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida, quando o risco da bronquiolite é maior.
Vacina VSR para gestantes: Proteção ainda na barriga
A estratégia de imunização envolve vacinar as gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A pediatra e gerente médica do Instituto Butantan, Carolina Barbieri, explica: “Ao vacinar a mãe, ela produz anticorpos que são transferidos para o bebê pela placenta e também pelo leite materno”.
Esse processo garante proteção passiva ao recém-nascido, especialmente nos primeiros meses de vida, período mais crítico em relação ao VSR. Por isso, vacinar diretamente os bebês após o nascimento não seria tão eficaz. O sistema imunológico do recém-nascido é imaturo, o que dificulta a resposta imediata à vacina.
Entenda o que é o VSR e por que ele é tão perigoso
Transmitido por gotículas de saliva, tosse, espirros ou objetos contaminados, o VSR ataca o trato respiratório, especialmente os bronquíolos – pequenas vias aéreas que conduzem ar aos pulmões. Quando o VSR inflama essas estruturas, causa a chamada bronquiolite, dificultando a respiração.
Bebês, por terem bronquíolos menores e imaturidade imunológica, apresentam maior dificuldade em expelir as secreções acumuladas. O resultado disso pode ser grave: falta de ar, chiado no peito e necessidade de internação hospitalar.
Segundo o Boletim InfoGripe, até outubro de 2025, o VSR foi responsável por 40,6% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com internação em crianças com menos de dois anos.
Bronquiolite é causada pelo VSR?
A bronquiolite não é sinônimo de VSR. Na verdade, é a doença inflamatória causada principalmente – mas não exclusivamente – por esse vírus. Outros agentes, como o rinovírus e o metapneumovírus humano, também podem desencadear o problema.
No entanto, o VSR é o principal vilão quando se trata de bronquiolite em bebês e crianças pequenas. Por isso, ele é o foco da vacinação preventiva e de medidas de proteção mais rigorosas durante os períodos de maior circulação viral.
Quando o vírus circula com mais intensidade?
O VSR tem um comportamento sazonal, semelhante ao da gripe. Ele se espalha com maior frequência nos meses de outono e inverno, quando as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados e há maior concentração de vírus respiratórios em circulação.
Essa sazonalidade torna ainda mais importante a antecipação da vacinação das gestantes. Ao tomar a vacina ainda na gestação, a mãe protege o bebê justamente no período de maior risco epidemiológico.
Sintomas do VSR e como ocorre o diagnóstico
Os principais sinais da infecção por VSR incluem:
- Tosse persistente
- Febre
- Chiado no peito
- Dificuldade respiratória
- Secreção nasal
O diagnóstico é clínico na maioria dos casos, mas pode ser confirmado por exames laboratoriais específicos. A pediatra Carolina Barbieri destaca que “diferente da influenza, que conta com antivirais, o VSR não possui tratamento específico”.
O manejo da doença depende de medidas de suporte, como oxigenoterapia, hidratação adequada, fisioterapia respiratória e observação contínua. Isso reforça a importância de prevenir a infecção com a vacina e anticorpos monoclonais, que também têm sido desenvolvidos.
Parceria entre Instituto Butantan e Pfizer fortalece o SUS
A chegada da vacina VSR para gestantes à rede pública é fruto de uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana Pfizer. O acordo foi firmado por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o Ministério da Saúde em setembro de 2025.
As PDPs são iniciativas que visam ampliar o acesso a medicamentos e tecnologias no Sistema Único de Saúde, promovendo o fortalecimento da indústria nacional de biotecnologia. No caso da vacina contra o VSR, o plano inclui a transferência da tecnologia de produção para o Instituto Butantan, além do fornecimento conjunto do imunizante.
Vacina VSR para gestantes: quando tomar?
A recomendação oficial é aplicar a vacina a partir da 28ª semana de gestação. A pediatra Carolina Barbieri destaca que “esse período foi o mais estudado e mostrou maior eficácia na geração e transferência de anticorpos para os bebês”.
É fundamental que a gestante tome a vacina com pelo menos 14 dias antes do parto. Esse tempo é necessário para que o corpo desenvolva os anticorpos e consiga transferi-los eficientemente para o feto pela placenta.
Proteção também para os idosos?
O VSR não atinge apenas crianças. Pessoas idosas também estão entre os grupos de maior risco. A gravidade da infecção no público mais velho ocorre devido ao enfraquecimento natural do sistema imunológico e possíveis doenças respiratórias crônicas associadas.
Apesar disso, a vacina distribuída em 2025 via SUS tem como público inicial as gestantes. A expectativa é que a proteção conferida aos bebês gere uma redução significativa na circulação comunitária do vírus e, indiretamente, também proteja idosos e pessoas com comorbidades.
Um avanço importante para a saúde pública
Com a inclusão da vacina VSR para gestantes no SUS em dezembro de 2025, o Brasil dá um passo importante na prevenção de doenças respiratórias graves em recém-nascidos. A bronquiolite e a pneumonia são causas frequentes de internação e, infelizmente, de óbitos em bebês.
A imunização durante a gravidez se mostra a forma mais eficaz de proteger essa faixa etária. Além disso, a iniciativa fortalece a produção nacional de vacinas, graças à transferência de tecnologia prevista entre o Instituto Butantan e a Pfizer.
A expectativa é de que, com essa estratégia, seja possível reduzir drasticamente os casos graves e hospitalizações causados pelo VSR – uma das ameaças mais preocupantes à saúde infantil.







