29 de abril de 2026 – Em meio ao friozinho característico da Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão completa hoje 152 anos de fundação. A data, que marca o início do povoado criado por Mateus da Costa Pinto em 29 de abril de 1874 às margens do Rio Imbiri, é celebrada com desfile cívico, shows, programação cultural e sessão solene na Câmara Municipal. A “Suíça Brasileira” segue como um dos destinos mais encantadores do país, mas também enfrenta os desafios reais de quem vive no município mais alto do Brasil.
A 1.628 metros de altitude na sede administrativa, Campos do Jordão ostenta o título de cidade mais elevada do país. Esse privilégio geográfico garante um microclima único, com temperaturas que podem cair abaixo de zero no inverno, paisagens de montanha preservadas e uma arquitetura alpina que atrai milhões de turistas por ano. O Festival de Inverno, os chalés charmosos, a gastronomia com fondue e chocolate quente e as belezas naturais da Mata Atlântica transformaram o município em referência nacional de turismo de inverno e de estância climática.
A cidade recebe cerca de 4,5 a 5,5 milhões de turistas por ano, o que consolida sua importância como um dos principais destinos turísticos do interior de São Paulo e do Brasil. Esse fluxo gera emprego, movimenta a economia local e posiciona Campos do Jordão como polo de turismo sustentável, mas também aumenta a pressão sobre infraestrutura e serviços.
O prefeito Carlos Eduardo Pereira da Silva (Caê), do Republicanos, e o presidente da Câmara Municipal, Filipe Cintra (PSD), participam ativamente das comemorações, reforçando o compromisso com o desenvolvimento da cidade.
Apesar do brilho turístico, a comunidade local convive diariamente com desafios típicos de uma cidade de montanha e de vocação estritamente turística: custo de vida elevado, especulação imobiliária que encarece aluguéis e expulsa famílias tradicionais, além de problemas de infraestrutura em áreas de risco (como enchentes e deslizamentos próximos a rios e vilas como Britador, Albertina e Monte Carlo). A dependência da economia sazonal do turismo também gera instabilidade de emprego e pressão sobre serviços públicos de saúde, educação e moradia.
Seu João Batista, 78 anos, natural de Campos do Jordão e morador do bairro Abernéssia desde sempre, resume com emoção a transformação da cidade:
“Eu nasci aqui quando ainda era tudo mato e estrada de terra. Vi a cidade crescer com o sanatório, depois virar ponto turístico. Hoje tem asfalto, luz e turistas o ano todo, mas sinto falta de quando a gente se conhecia todo mundo. O orgulho é grande, mas a gente precisa que o progresso chegue também para os antigos moradores, com saúde melhor e casa decente para as famílias.”
Do outro lado, as novas gerações olham para o futuro com esperança. Ana Clara Mendes, 11 anos, aluna da Escola Municipal e moradora do Capivari, conta animada:
“Eu amo morar na cidade mais alta do Brasil! Quero que no futuro tenha mais parques para brincar, escola com computador bom e que os turistas continuem vindo, mas sem bagunçar o nosso bairro. Quero ser guia de turismo quando crescer para mostrar para todo mundo como Campos do Jordão é linda e especial.”
Com 152 anos de história, Campos do Jordão celebra não apenas o passado de fundação e emancipação política (em 1934), mas o presente de uma cidade que equilibra o glamour do turismo com a necessidade de cuidar de quem realmente constrói o dia a dia nas ruas geladas da Mantiqueira. Que os próximos anos tragam desenvolvimento sustentável, valorização dos moradores e a preservação desse patrimônio natural e cultural que orgulha todo o Brasil.
Feliz aniversário, Campos do Jordão!







