Butantan recruta idosos para testes da vacina contra dengue
O Instituto Butantan, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, iniciou em 13 de janeiro o recrutamento de voluntários para os ensaios clínicos da vacina tetravalente contra a dengue, Butantan-DV. O foco do estudo são pessoas com idade entre 60 e 79 anos, consideradas mais vulneráveis às complicações da doença. A pesquisa tem como objetivo principal testar a segurança da vacina para o público idoso e avaliar sua resposta imunológica em comparação com adultos mais jovens.
Vacina dengue idosos segurança: objetivo e importância do estudo
Diferente dos estudos anteriores, cujo foco principal era a eficácia da vacina na redução de casos de dengue sintomática, essa nova fase tem um objetivo diferente. O Instituto Butantan irá avaliar se os idosos entre 60 e 79 anos produzem anticorpos de forma similar aos adultos de 40 a 59 anos. Com isso, espera-se entender melhor a resposta imunológica dessa faixa etária.
De acordo com Fernanda Boulos, diretora médica do Butantan, essa etapa do estudo visa assegurar que pessoas mais velhas possam se proteger com segurança. “A faixa etária de maiores de 60 anos está entre as mais impactadas pela morbidade da dengue”, explicou. Por essa razão, é fundamental garantir que essa parte da população receba uma vacina segura e eficaz.
Vacina dengue idosos segurança: como serão feitos os testes?
O estudo clínico contará com a participação de 997 voluntários, sendo 767 idosos (entre 60 e 79 anos). Desses, 690 receberão a vacina Butantan-DV e 77 o placebo. Outros 230 adultos com idade entre 40 e 59 anos formarão o grupo controle e serão vacinados sem passar por sorteio. Todos os participantes devem estar em boas condições de saúde ou possuir comorbidades controladas.
Para facilitar a adesão, o estudo foi desenhado com poucas etapas. A maioria dos participantes precisará comparecer ao centro de pesquisa em apenas quatro ocasiões:
- Primeira visita: aplicação da vacina
- Segunda visita: retorno após 22 dias
- Terceira visita: retorno após 42 dias
- Última visita: um ano depois da vacinação
Além disso, 56 idosos serão convocados para visitas adicionais, com o objetivo de coletar exames de viremia. Como destacou o gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan, Érique Miranda: “É um estudo enxuto para facilitar a participação das pessoas”.
Centros de pesquisa e regiões participantes
Os testes ocorrem em cinco centros de pesquisa localizados no Sul do país. Essa escolha estratégica se deu após simulações estatísticas mostrarem que regiões de baixa prevalência da dengue oferecem resultados mais uniformes.
- Hospital São Lucas da PUCRS – Porto Alegre (RS)
- Hospital Moinhos de Vento – Porto Alegre (RS)
- Núcleo de Pesquisa Clínica do Rio Grande do Sul – Porto Alegre (RS)
- Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh) – Pelotas (RS)
- Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar – Curitiba (PR)
Durante o planejamento, cogitou-se incluir capitais como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Natal. No entanto, a alta exposição prévia da população à dengue nessas regiões poderia comprometer a análise da resposta imune. Nas palavras de Érique Miranda: “Incluir centros de baixa prevalência de casos de dengue […] garantirá um dado gerado com maior qualidade”.
Aprovada pela Anvisa, vacina do Butantan é destaque internacional
A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa em 26 de novembro de 2025 para pessoas entre 12 e 59 anos. Essa foi a primeira vacina do mundo a oferecer proteção contra a dengue com apenas uma dose. Após a aprovação, o imunizante foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).
O Ministério da Saúde adquiriu as primeiras 1,3 milhão de doses, destinadas inicialmente a agentes de saúde e pessoas com 59 anos. Posteriormente, o plano é expandir a vacinação para públicos de até 15 anos.
Resultados positivos nos estudos anteriores
Os ensaios clínicos da Butantan-DV foram encerrados em junho de 2024 após cinco anos de acompanhamento. Os dados publicados no New England Journal of Medicine indicam uma eficácia geral de 79,6% para prevenir casos de dengue sintomática.
Outro estudo da fase 3, publicado na The Lancet Infectious Diseases, mostrou ainda que a vacina oferece 89% de proteção contra formas graves da doença e casos com sinais de alarme. Dados inéditos de cinco anos de acompanhamento indicam 74,7% de eficácia geral e 91,6% contra dengue grave e com sinais de alarme em pessoas de 12 a 59 anos.
Por que estudar a vacina da dengue em idosos?
A vacina dengue idosos segurança é uma preocupação crescente no setor de saúde pública. Isso porque, com o avanço da idade, o organismo apresenta uma resposta imunológica menos robusta. A extensão da faixa etária permitida para uso da vacina só pode ser feita após estudos clínicos rigorosos. É necessário comprovar que o imunizante é seguro para esse público e que gera resposta protetiva adequada.
Portanto, esse estudo representa um passo importante para disponibilizar mais uma ferramenta de proteção para a população idosa, especialmente considerando a gravidade que a dengue pode apresentar nessa faixa etária.
Os interessados em participar do estudo no Hospital São Lucas da PUCRS podem preencher um questionário para inscrição. Além de contribuírem para o avanço da ciência, os voluntários recebem acompanhamento médico durante todo o processo.
Conclusão
O estudo que avalia a vacina dengue idosos segurança representa uma importante etapa no combate à dengue em um dos públicos mais vulneráveis: os idosos. Com base em dados científicos e colaborações entre instituições renomadas, como o Instituto Butantan e diversas universidades de pesquisa, o Brasil avança na garantia de uma imunização eficaz e segura para todos.
Com os excelentes resultados obtidos até agora em adultos e adolescentes, espera-se que, após a conclusão dos novos testes, a vacinação também seja ampliada para pessoas entre 60 e 79 anos. Dessa forma, maior parte da população brasileira poderá se beneficiar dessa solução inovadora na luta contra a dengue.







