Vacina contra HPV: proteção eficaz e mitos desmentidos em 2024
A vacina contra o HPV é uma das ferramentas mais importantes quando falamos em prevenção de cânceres relacionados ao Papilomavírus Humano. Mesmo sendo distribuída gratuitamente pelo SUS, a cobertura vacinal ainda não atingiu a meta de 95% no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura global subiu para 82% em 2024, o que representa um aumento significativo em comparação aos 78,5% registrados em 2022.
O aumento da adesão, no entanto, ainda esbarra em desinformações sobre a segurança e a eficácia do imunizante. Neste artigo, vamos abordar por que a vacina HPV previne cânceres, quem pode recebê-la e desmentir os boatos que continuam circulando pelas redes sociais.
O que é o HPV e por que a vacina é necessária?
O HPV é um grupo com mais de 200 tipos de vírus. Eles causam a infecção sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo. Alguns tipos provocam verrugas genitais; outros são ainda mais perigosos. Esses últimos estão diretamente relacionados a diversos tipos de câncer: colo do útero, ânus, pênis, garganta e boca.
A melhor forma de evitar a infecção é por meio da vacinação. De acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela é a medida mais eficaz de prevenção. E quanto mais cedo é aplicada, maior sua efetividade.
Vacina HPV previne cânceres: entenda como ela funciona
A imunização cria uma barreira protetora antes que haja qualquer exposição ao vírus. Segundo o pediatra Mário Bochembuzio, gestor médico do Instituto Butantan, “a vacina funciona exatamente como um capacete. Ninguém espera cair da moto para usá-lo. O mesmo raciocínio vale para o HPV — ela protege quem se imuniza antes da exposição”.
O ideal é que a aplicação aconteça entre os 9 e 14 anos. Nessa idade, o sistema imunológico responde melhor à vacina, além de, em muitos casos, ainda não haver iniciação sexual. Esse ponto é essencial, já que o contato com o vírus costuma ocorrer após o início da vida sexual.
Mito: a vacina incentiva a vida sexual precoce
Muitos pais têm receio de vacinar seus filhos por acreditar que isso poderia provocar o início precoce da vida sexual. Esse é um boato sem fundamento. O objetivo da imunização não é antecipar experiências, mas prevenir doenças extremamente graves e fatais.
Aplicar a vacina na infância é justamente uma estratégia de prevenção. Assim como outras vacinas aplicadas nessa fase, o foco está em proteger o adolescente antes que o risco real apareça. A prevenção começa com informação e responsabilidade dos adultos.
Vacina HPV previne cânceres: populações que devem receber a dose
No Brasil, a vacina HPV previne cânceres e é recomendada de forma prioritária para meninas e meninos com idade entre 9 e 14 anos. Em 2025, a campanha foi ampliada para incluir também jovens de 15 a 19 anos com uma dose única. A campanha seguirá até dezembro deste ano.
Outros grupos prioritários incluem:
- Pessoas imunossuprimidas
- Vítimas de violência sexual
- Indivíduos com condições clínicas específicas
Esses grupos podem ser vacinados até os 45 anos. Nesses casos, é adotado o esquema de três doses, conforme especificado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Desmentindo os principais boatos sobre a vacina contra HPV
A disseminação de informações falsas ainda é um grande empecilho para a cobertura vacinal. Abaixo, listamos os mitos mais disseminados e explicamos, com base em fontes confiáveis, por que eles são infundados:
1. “A vacina contra HPV altera o DNA humano”: FALSO
Muitas pessoas acreditam que este imunizante tem a capacidade de modificar o DNA. Esse é um equívoco grave. A vacina é baseada em partículas semelhantes ao vírus (VLP – virus like particles), construídas com a proteína L1 — encontrada na superfície do HPV —, mas sem o DNA viral.
Essa construção é reconhecida pelo sistema imunológico como uma ameaça, induzindo uma resposta protetiva. Como não possui material genético do vírus nem entra no núcleo da célula, não há nenhum risco de mutação no DNA humano.
2. “A vacina causa a Síndrome de Guillain-Barré (SGB)”: FALSO
O Comitê Consultivo Global para Segurança de Vacinas (GACVS), da OMS, revisou uma grande quantidade de estudos científicos sobre o tema. Todos eles apontam para a ausência de uma relação direta entre a vacina contra o HPV e a SGB.
Entre as evidências, estão pesquisas realizadas em países como Suécia, Dinamarca, França e Reino Unido. No Reino Unido, um estudo com mais de 10 milhões de vacinados revelou que não houve aumento nos casos de Guillain-Barré após qualquer dose. Nos EUA, a análise de 60 milhões de doses também descartou qualquer ligação.
3. “A vacina contra HPV traz mais riscos do que benefícios”: FALSO
Esse é mais um boato com potencial perigoso. Os riscos da vacina são mínimos. Os efeitos colaterais mais comuns incluem dor no local da aplicação, algo semelhante ao que ocorre com qualquer imunizante. A proteção, por outro lado, impede o desenvolvimento de cânceres que matam milhares de pessoas todos os anos.
O papel das campanhas de conscientização e vacinação em 2024
Apesar dos desafios, o ano de 2024 traz dados positivos. A cobertura vacinal atingiu 82% — avanço importante em relação aos 78,5% registrados em 2022. No entanto, a meta de 95% ainda continua distante.
Por isso, campanhas informativas como as do Instituto Butantan e do Ministério da Saúde seguem sendo cruciais. Desmentir mitos, esclarecer dúvidas e ampliar o acesso à informação são ações fundamentais nesse processo.
Dose única até os 19 anos: estratégia facilitadora
A adoção da dose única para jovens entre 15 e 19 anos, válida em 2025, também representa um passo importante para ampliar ainda mais os números de vacinação. A simplificação do esquema vacinal ajuda a reduzir a evasão por medo de múltiplas aplicações, além de otimizar recursos.
Conclusão: prevenir é mais eficaz do que tratar
É importante lembrar: a vacina HPV previne cânceres e outras complicações graves de saúde. O imunizante é seguro, eficaz e gratuito. O conhecimento é a melhor forma de combater o medo e garantir um futuro mais saudável para todos.
Vacinar hoje é proteger o amanhã. Não acredite em falsos mitos, confie na ciência e ajude a divulgar informações verdadeiras. A prevenção começa com atitudes simples que salvam vidas.







