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Vacina da dengue Butantan-DV: 10 anos de desenvolvimento brasileiro

Imagem: Vacina dengue Butantan aprovada

Vacina da dengue Butantan-DV: 10 anos de desenvolvimento brasileiro

Amor, persistência, orgulho, vitória e gratidão. Essas foram as palavras escolhidas por cinco dos protagonistas do desenvolvimento da vacina dengue Butantan aprovada para resumir essa jornada única. A história da Butantan-DV é um verdadeiro exemplo da “Jornada do Herói”, conceito do mitólogo Joseph Campbell, onde o protagonista enfrenta adversidades até retornar transformado.

Neuza, Vanessa, Claudia, Patrícia e Flávio são apenas alguns dos rostos por trás dessa conquista nacional. Desde 2010, eles se dedicaram ao projeto da vacina tetravalente contra a dengue, recentemente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), simbolizando uma vitória brasileira contra uma das doenças que mais afetam o país.

Vacina dengue Butantan aprovada: o início da jornada em 2010

Tudo começou ainda na década de 1980, quando o Brasil registrou as primeiras epidemias de dengue em Roraima, causadas pelos sorotipos 1 e 4. Desde então, a doença se espalhou rapidamente por todo o território nacional, culminando em um número alarmante: mais de 1 milhão de casos prováveis só em 2010.

Foi justamente nesse ano que o Instituto Butantan iniciou uma nova missão: desenvolver uma vacina eficaz contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. A liderança ficou a cargo da pesquisadora Neuza Gallina Frazatti. Como gerente do Laboratório Piloto de Vacinas Virais (LVV), ela já tinha ampla experiência com vacinas contra raiva e rotavírus.

Inspirada por Isaías Raw (1927–2022), ex-diretor do Instituto e verdadeiro mestre para muitos cientistas brasileiros, Neuza abraçou o projeto com coragem e determinação. “Foi ele quem me mostrou que com paciência e competência podemos tudo”, comenta.

Vacina dengue Butantan aprovada: construindo um time para o impossível

Com o desafio em mãos, o primeiro passo foi montar uma equipe. Neuza reuniu 25 profissionais para compor a base do que viria a ser conhecido como a “família dengue”. Entre os primeiros a integrar o time estavam nomes como Claudia Regina Menezes Botelho, Flávio Mannaro Medeiros, Vanessa Harumi Takinami e Patrícia Mourão Fuches.

  • Claudia, que atuava desde 2004 no LVV, ficou responsável pela formulação da vacina, um processo que exigiu 17 composições diferentes e mais de 50 testes até encontrar a combinação ideal dos quatro sorotipos.
  • Flávio, após passar anos trabalhando com vírus, assumiu a liofilização da vacina — fase essencial para transformar o imunizante de forma líquida em pó.
  • Vanessa cuidou do preparo das soluções e manutenção das células Vero, fundamentais para a replicação dos vírus utilizados no imunizante.
  • Patrícia começou a trabalhar no laboratório em 2009, sendo posteriormente alocada no controle dos processos da vacina.

Durante mais de 10 anos, esse time conviveu intensamente, lidando com cálculos, tubos de ensaio, frascos, planilhas e também com amizade, cansaço e superação diária.

Superação, ciência e investimento nacional

Não foram apenas os desafios técnicos que testaram o time. A combinação dos quatro sorotipos numa vacina tetravalente segura e eficaz foi uma das etapas mais complexas. Os cientistas precisaram trabalhar em turnos longos, que começavam antes do amanhecer. Como explica Claudia, “chegávamos às 5h da manhã no laboratório. Era puxado, mas sabíamos que era por um bem maior”.

Além disso, a conquista só foi possível graças à colaboração de mais de 50 profissionais diretamente envolvidos no desenvolvimento do Insumo Farmacêutico Ativo. Neuza faz questão de ressaltar os esforços de coordenadores como Gustavo Gonçalves Perrotti, Everton Magno De Sousa, Vivian Massayo Kazyama e Alyne Vieira Barros. Ainda que não tenham participado do reencontro promovido pelo Portal do Butantan, foram essenciais à trajetória.

Memórias de quem viveu a ciência na pele

Em um reencontro promovido, os protagonistas da vacina se reuniram novamente no LVV para relembrar os momentos mais marcantes da jornada. Foram mais de 10 anos de dedicação, ciência e muitos desafios cotidianos, divididos entre bancadas de laboratório e as adversidades da vida pessoal.

A emoção foi grande ao revisitarem os espaços onde muitas das conquistas ocorreram. Cada sala carregava histórias de erro e acerto, de persistência e descoberta. Toda essa experiência agora está refletida numa vacina 100% desenvolvida no Brasil, uma prova da capacidade científica nacional.

O impacto da vacina no combate à dengue

Com mais de 1 milhão de casos prováveis em 2010, o Brasil precisava urgentemente de uma solução eficiente. A aprovação do imunizante pela Anvisa significa que, em breve, a população brasileira poderá contar com uma ferramenta poderosa no combate à doença.

A vacina dengue Butantan aprovada é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos do vírus. Isso a torna uma solução robusta e estratégica para regiões endêmicas no país. A aplicação da vacina será um divisor de águas nas campanhas de imunização dos próximos anos.

Diferente de imunizantes importados, a Butantan-DV é resultado direto da ciência brasileira. Isso garante não apenas a soberania nacional em saúde pública, mas também o acesso amplo e equitativo à população.

Resultado de uma década: compromisso com o Brasil

O desenvolvimento da Butantan-DV levou mais de 10 anos, mas representa muito mais do que uma vacina. É um projeto que simboliza persistência, colaboração e inovação científica. Cada dificuldade enfrentada contribuiu para um produto final que agora vai salvar vidas.

Flávio, que hoje trabalha na planta industrial do Butantan, continua envolvido no processo de liofilização do imunizante. O ciclo começou para ele no laboratório e agora se perpetua na produção em escala. O mesmo vale para todos os envolvidos: a ciência continua em movimento, transformando desafios em soluções.

O Brasil celebra não apenas uma vacina, mas também uma geração de cientistas que fez história. A jornada da Butantan-DV mostra que, com investimento, conhecimento e paixão, a ciência nacional é capaz de alcançar conquistas grandiosas.

Conclusão: a ciência brasileira vence mais uma vez

A aprovação da Butantan-DV pela Anvisa marca o final de uma etapa e o início de outra — a vacinação em larga escala. A vacina dengue Butantan aprovada é resultado direto do trabalho incansável de profissionais dedicados, muitos dos quais começaram suas carreiras dentro dos corredores do LVV.

Essa conquista é símbolo de um Brasil que valoriza a ciência, que confia em seus pesquisadores e que investe em soluções próprias para problemas que afetam sua população. Agora, com a chegada da vacina, a esperança se renova. Afinal, quem viveu a jornada – como Neuza, Vanessa, Flávio, Claudia e Patrícia – testemunhou com os próprios olhos que, sim, é possível fazer ciência de qualidade no Brasil.